sexta-feira, 8 de maio de 2009

Clichê.

Disseram isso da minha arte em poucas maldades,
isso fora dito num dia de pouca sacanagem
sequer imaginei o tiro de imagens
que o beco pudesse reproduzir com tamanha deformidade
o leve perfume da madrugada me grita
a bebida se transforma em amiga
sem compreender a saudade.
e hoje, uma única vez, desejei meu tablete de chocolate.


Falo: O gás do fogão, realmente, parece tão saudável [...]

terça-feira, 5 de maio de 2009

escorro.

Tempero doce.
Mastigo a cicatriz de meu pulso
alimento-me de curas.
alimento-me de saias retorcidas
alimento – me de pêlos úmidos.
sinto o seio
os beijos
a marca dos selos.

Tempero doce.
oral. Silenciado.
tabaco. Gemidos.
Fumei suas pernas.
Adentrei.
alisei.
Gozei.
enlouqueci embaixo do vestido desbotado.

Alimentei de sua cicatriz
Bem entre. Dentro. Saboroso.
de sua mente
daquelas pernas palpáveis
daquela senhorita de beijos falsos
pagos por cigarros mentolados.

Tempero amargo.
E no fim do ambiente, calou-se.
atirei meu branco em sua boca
nascera um filho condenado.
nascera o poeta modificado
morrera o infeliz com gilete nos lábios.

Sem graça o coração apertou.
A mocinha sem enredo,
num canto escuro do quarto
Menstruava de solidão.

Nada de Prolixidade.

Meu jeans não teve momentos de eterna alegria.

O zíper abrira momentaneamente unicamente para atingir os cabelos suaves de Gabriele que por aqueles dias diria que minha gramática tinha gosto de camomila.

A prostituta em outra vida não diria sequer uma palavra de agrado, a terra do “Morenismo” diria mentiras fortes de minha vida, outrora de poeta mentolado de Yolandas vagas, fúteis, vaidosas.
O copo de tédio adentrou a boca, aliviou-se em beijos nada mundanos, pensaria mais tarde que o zíper se abriria mais fiel aquela rima de gramáticas imperfeitas. O caldo branco descera no canto dos lábios, ela sentira a poesia e a tristeza vinda diante pernas tão magras e longas, e naquele ambiente de cafeína e diários implicantes decidiu me postar em ambientes de fluxos bem mais conscientes.

Copo quebrado!

Cálice afagado entre os dedos sensíveis de alguma Andréia de vestidos amarrotados. O beijo? Suspirei a falta de cada cigarro em meu ventre de desilusão. Melena de minha velhice amarga por saber que Gabriele não me teria em comprimidos delineados.

Ela sequer entenderia meu lápis em diários calados. Sentenciados por uma filosofia anulada. Eu bem deixei meus pares de sapatos nas ruas amarelas da cultura do “Morenismo”, no entanto o que mais sinto saudades é da prostituta poética que desferiu em mim tamanha sacanagem de labirintos e cheiros de tabacos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Solidão Contemporânea

Bento pensou.
Ele pensou:


“Cadê a corda?
A Roldana?
E o banquinho para apoiar meu Serafim?”

O menino sonhou.
O menino sequer soube desejar algo ruim.

Pai!
Afaste este litro de cachaça de mim.

Sangra
Joga.
Amortalha os sentimentos em saias de Alecrim

Pai! Dose. Única.
Ignomínia.
Mentira.

E na esquina a Prostituta ranzinza abençoa em latim.
E no beco o cheiro de Crises vem de vestidos azuis de cetim.

E Ontem almocei goladas de Aipim
Hoje tenho em mente
Cacos de vidro em mim.

A mãe percebera o desastre.
E no escuro silencioso
Deixou dançar um grito escandaloso.
Inumano.Chegou ao quarto ofegante.
No corpo do menino Derramou lágrimas vermelhas.

Choradas. Matadas.
Bento!
Suor em Bento.
O corpo de Bento.
No maldito Corpo bento.

E a mãe sorriu.
Pela primeira vez o menino Parecia um Pêndulo.


Marks William

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

De Viviane Mosé

"quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rostocom uma navalha fina
sem raiva nem rancoro tempo riscou meu rosto
com calma (eu parei de lutar contra o tempoando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.acho que a vida anda.
a vida anda em mim.acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim e por falar em sexo quem anda me comendo é o tempo
na verdade já faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando"

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Carta de Virginia Woolf

Tenho certeza de que estou enlouquecendo de novo. Sinto que não podemos passar por outra daquelas terríveis fases. E desta vez não ficarei curada. Começo a ouvir vozes, e não posso me concentrar. Assim, estou fazendo o que me parece melhor. Você me deu a maior felicidade possível.

Não creio que duas pessoas pudessem ser mais felizes até chegar esta doença terrível. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida e que sem mim você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Está vendo, nem consigo mais escrever adequadamente.

Não consigo ler. O que quero dizer é que devo a você toda a felicidade da minha vida. Você foi absolutamente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer isso — e todo mundo sabe. Se alguém pudesse me salvar, teria sido você.

Perdi tudo, menos a certeza da sua bondade. Não posso mais continuar estragando sua vida.Não creio que duas pessoas tenham sido mais felizes do que nós fomos.
.
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Virginia Woolf

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Incompreensão


A vi sentada com sua saia cheia de fibras;
recortes de jornais em cada linha;
trançados de larvas mastigadas.
A vi beber absinto,
alecrim
um caldo de camomila escura [...]
Outras Senhoras bebiam e diziam a farsa daquela ladainha.
Cafetina!

“Elas viam o pecado sagrado embaixo dos vestidos rosados”.

Dormi!
Sempre busquei no olhar das pessoas aquele restinho de café, aquele cheiro de bitucas de cigarros que me deixava com a alma fria.
Eu vi no olhar daquela mulher a tristeza profunda, o grito silenciado e a felicidade resguardada.

Fui noiva sem vestido.
Fui Virgem sem amado.
Fui fuga dos sonhos que se perderam em ruas fúteis cheia de partes femininas> Partes “íntimas” de Mulheres vendidas e caladas.
Eram senhoras com nomes iguais> Todas se chamavam Aparecida. [...]

Fui borboleta.
O Azul da idéia.
O negro da raça.
Fui menina. Mulher e simpatia.

Fui o diabo rosa;
De salto alto
de vestido vermelho,
batom espesso e pés alados.


Então eu previ:

"A vida é uma sugestiva precisão de abraços mortíferos;
de feras aladas que ressuscitaram dos mitos guardados;
por velhos mesquinhos que se consideravam amaldiçoados".