terça-feira, 24 de maio de 2011

Grosserias "embusteiras".

Sou amante da desgraça. Sou o medo da virgem diante do objeto fálico. Sou e nada mais serei.

Amei várias Samantas, algumas Carolinas e várias Marias. E diante da balconista da padaria as vejo coberta de açúcar.
Aos poucos, a cada mordida, sinto o ciúme, as moscas que pousaram e o leite desperdiçado.
Em cada mordida sinto o gosto amargo de tê-las.
Beijei-as e nada senti, pois acima do doce estava um amor calórico que me enojava.

Amei algumas Talitas, e estas me pareceram saudáveis. Em cada fibra um gosto de tabaco amargo. Estas eu amei como adolescente em cima de uma revista pornô. Dentro da revista, em cima de conteúdos cansados, eu me cansei. Nada para me fazer querer. Mas mesmo assim amei.

Depois vieram as Marianas que com grande amor as cultivei. Era jardineiro. Era cuidador. Mas me elas não me queriam. Eram tantas bailarinas em meu jardim que não acompanhei os movimentos gritantes e ao mesmo tempo tão leves. Perdi-me e perdido fugi.

Sobraram-me as violinistas que como bolhas de sabão estouraram no primeiro contato com meus dedos obscenos. No fim, nada cultivei, pois nada realmente amei, além de uma doença de que nada terei além deste cigarro que carrego entre meus lábios.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Como vencer em sala.

Esta é de "matar". Depois de muito falar e ninguém me ouvir um abençoado de “Deus” (aluno do Ensino Médio) me mandou esta:

______ "Professor, faz como os macacos".
______ Como?
______ "Para o senhor ter respeito em sala tem que imitar os macacos".
______ Dá pra explicar?
______ “O líder defeca na mão e joga no resto do bando para ter mais respeito”.

Ah! Claro, depois dessa dica ninguém mais me desrespeitará na escola.

domingo, 7 de novembro de 2010

Evoluir!

Penso se deveria continuar nesta profissão... nada contra a “bagaça” de ensinar a um bando que prefere ouvir Restart a prestar atenção na aula de Produção Escrita. "Calma, professor! Da sua época pra cá as coisas mudaram, isso é evolução", pois é... eles estão certos (eu acho), na minha época tinha Tim Maia, Cazuza, Legião e Mamonas, eles estão certos, só houve evolução de lá pra cá.

Mais uma preciosidade para alavancar a minha autoestima.

_____ Professor você é bonito, só tem que arrancar estes óculos (miopia massacra), cortar os cabelos, trocar a roupa e malhar um pouco, além disso, você até que está bem.

Uhu!!! Depois dessa me sinto BEM melhor, cortar os pulsos ao som do Restart vai ser uma opção agradável. Quem sabe eles me amem mais ainda.

sábado, 6 de novembro de 2010

Mais uma...

O bilhete dizia:

"Querido Professor, eu te amo, você é o melhor professor do mundo, um amigo, um pai para mim, TODOS OS ALUNOS DA SALA TE ODEIAM, mas eu gosto de você."

Com amor, Clara.

Uma entre cinquenta alunos, eu acredito que saí no lucro.
Reis do Elogio.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Professor Fragmentado.

Hoje estou sem poesia, sinceramente nada sei sobre esta arte (teoria nem vem ao caso), aliás, nada me compete a qualquer arte, logo me resta lecionar assim como tantos outros sofredores que se aventuram a ensinar entre outras matérias a porcaria da gramática.


Uma aluna veio a mim e disse:
_____ “Preciso te fazer um elogio, eu gosto mais do senhor que dos professores de Educação Física (ah! "tá” e na ocasião a criatura incluiu os estagiários), ela continuou, eles são bem mais sarados, masculinizados, bem mais descolados e bonitões, – (neste momento houve suspiros, claro que da parte dela) - mas eu prefiro (mesmo assim) o senhor”.

Fiquei indignado; após me olhar no reflexo dos óculos (miopia cretina) descobri o que a mocinha dizia... em outras palavras ela me chamou de magricelo, afetado (afeminado), travado e feio.

Alunos são reis do elogio... Uma beleza de elogio (...)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Envelheço

Se eu pudesse mataria minha velhice; matar-me-ia!
(maldita gramática cheia de quinquilharia)

Hoje amanheci desconsolado,
olhei os vestidos, aqueles antigos vestidos amarelados;
verifiquei a quantidade de melancolia, vi a sujeira embaixo dos sapatos
eu não estava ali
nada me pertencia

Era de outra pessoa,
Não minha. Pertencia àquele jovem que festejava ao som de bêbados errantes, àquele jovem que adormecia e não acordava moralista.

Olhei as roupas antigas e neste olhar avistei o único terno empoeirado e nada me pertencia

Acordei comido pelas horas, e não tolerei o barulho da rua, pois o tempo não parou para contemplar minhas angustias, os carros não me sinalizaram quando me viram indo a uma estrada antiga.

As horas me penetraram.
Atingiu a saudade e alojou-se em meu ventre agora Encarnado.
Eu estava desnudo quando afligi Minh’ alma

Olhei-me e vi um rosto enrugado, esquisito e fechado.
Nada me pertencia, nem outrora a juventude que me animava.
o agora já era passado e o que me comia mudou de nome,
o que me comia era o Nada. Convalescente e Destemido Nada.
o que me feria eram as malditas horas que insistia
em me levar diante do armário cheio de brinquedos calados

o que me resta? aquela senhora paixão
nostálgica perante a navalha cortante

senhora paixão de semblante sereno
leva-me o sangue antes do primeiro corte.

Seria o Corte frustrante?

diante do espelho,
cheio de clichês,
eu esmago uma última lágrima

para findar como filho único neste ventre cheio de horas.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O livro me consome.

Rasgou meus vestidos, desgastou meus sapatos e tirou todo o batom dos meus lábios.

O personagem dentro de mim cresce a cada dia,

deixo de existir, deixo as calças amarelas em outra cerca,

em outro mundo que pertence apenas aos vizinhos

(nada de Noel ou Mariana)

Alicia vive enquanto Antonia morre.

O livro segue um rumo desconexo,

sem meus dedos, sem minha nicotina embaixo da unha.

Temo a jazida que diz meu verdadeiro nome.

Bebida!