domingo, 24 de julho de 2011

Bianca.

E não me sabotei diante da beleza.

Os versos se rabiscam.

Numa tentativa vã em descrevê-la. Nada conseguirei.

A beleza me atinge fazendo com que o lápis, um instrumento simples, se quebre em pedaços.

Ajeitei o chapéu. Ajeitei-me e agora espero... Esperar não é uma qualidade que tenho, mas tento e tentando me vejo diante de escritos que superficialmente falarão dos sentimentos, estes que tanto escondo ao sorver o café que delicadamente me sirvo de tuas mãos que me apaixono além do balcão de guloseimas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Personagens.

O rastejar me permite sentir o pó.
A relva verde me machuca, porém nada mais me agrada do que rastejar por palavras que não querem aparecer.
Sim! Sou deus de um livro, mas quem seria o deus de mim?
Talvez este deus esteja se remoendo com uma xícara de café em cima de um esboço falho e ranzinza, talvez o deus que escreve - que me cria - também seja carrancudo - assim alivio minha mente de perseguições. Perseguidores que ainda me olham e dizem: "Lá vai o macambúzio com o sonho inútil de ser escritor". Será que alguém ousaria dizer a Deus que a escrita dele é péssima? "Olha, Deus, Seu livro é horrível". Creio que não!
Ontem matei duas personagens, neste momento se encontram numa lata de lixo. Li e reli, não gostei e joguei. Muito simples.
Eu como personagem secundário deste deus seria alvo de seu mau humor?
Deus olhou, não gostou e... Pensando bem, ele não faria isso. Sendo autor prepotente não erraria nas criações e muito menos seria mal humorado. Eu acho! Eu creio e por enquanto não basta.

20 de junho de 2011 – Totalmente Embriagado.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Grosserias "embusteiras".

Sou amante da desgraça. Sou o medo da virgem diante do objeto fálico. Sou e nada mais serei.

Amei várias Samantas, algumas Carolinas e várias Marias. E diante da balconista da padaria as vejo coberta de açúcar.
Aos poucos, a cada mordida, sinto o ciúme, as moscas que pousaram e o leite desperdiçado.
Em cada mordida sinto o gosto amargo de tê-las.
Beijei-as e nada senti, pois acima do doce estava um amor calórico que me enojava.

Amei algumas Talitas, e estas me pareceram saudáveis. Em cada fibra um gosto de tabaco amargo. Estas eu amei como adolescente em cima de uma revista pornô. Dentro da revista, em cima de conteúdos cansados, eu me cansei. Nada para me fazer querer. Mas mesmo assim amei.

Depois vieram as Marianas que com grande amor as cultivei. Era jardineiro. Era cuidador. Mas me elas não me queriam. Eram tantas bailarinas em meu jardim que não acompanhei os movimentos gritantes e ao mesmo tempo tão leves. Perdi-me e perdido fugi.

Sobraram-me as violinistas que como bolhas de sabão estouraram no primeiro contato com meus dedos obscenos. No fim, nada cultivei, pois nada realmente amei, além de uma doença de que nada terei além deste cigarro que carrego entre meus lábios.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Como vencer em sala.

Esta é de "matar". Depois de muito falar e ninguém me ouvir um abençoado de “Deus” (aluno do Ensino Médio) me mandou esta:

______ "Professor, faz como os macacos".
______ Como?
______ "Para o senhor ter respeito em sala tem que imitar os macacos".
______ Dá pra explicar?
______ “O líder defeca na mão e joga no resto do bando para ter mais respeito”.

Ah! Claro, depois dessa dica ninguém mais me desrespeitará na escola.

domingo, 7 de novembro de 2010

Evoluir!

Penso se deveria continuar nesta profissão... nada contra a “bagaça” de ensinar a um bando que prefere ouvir Restart a prestar atenção na aula de Produção Escrita. "Calma, professor! Da sua época pra cá as coisas mudaram, isso é evolução", pois é... eles estão certos (eu acho), na minha época tinha Tim Maia, Cazuza, Legião e Mamonas, eles estão certos, só houve evolução de lá pra cá.

Mais uma preciosidade para alavancar a minha autoestima.

_____ Professor você é bonito, só tem que arrancar estes óculos (miopia massacra), cortar os cabelos, trocar a roupa e malhar um pouco, além disso, você até que está bem.

Uhu!!! Depois dessa me sinto BEM melhor, cortar os pulsos ao som do Restart vai ser uma opção agradável. Quem sabe eles me amem mais ainda.

sábado, 6 de novembro de 2010

Mais uma...

O bilhete dizia:

"Querido Professor, eu te amo, você é o melhor professor do mundo, um amigo, um pai para mim, TODOS OS ALUNOS DA SALA TE ODEIAM, mas eu gosto de você."

Com amor, Clara.

Uma entre cinquenta alunos, eu acredito que saí no lucro.
Reis do Elogio.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Professor Fragmentado.

Hoje estou sem poesia, sinceramente nada sei sobre esta arte (teoria nem vem ao caso), aliás, nada me compete a qualquer arte, logo me resta lecionar assim como tantos outros sofredores que se aventuram a ensinar entre outras matérias a porcaria da gramática.


Uma aluna veio a mim e disse:
_____ “Preciso te fazer um elogio, eu gosto mais do senhor que dos professores de Educação Física (ah! "tá” e na ocasião a criatura incluiu os estagiários), ela continuou, eles são bem mais sarados, masculinizados, bem mais descolados e bonitões, – (neste momento houve suspiros, claro que da parte dela) - mas eu prefiro (mesmo assim) o senhor”.

Fiquei indignado; após me olhar no reflexo dos óculos (miopia cretina) descobri o que a mocinha dizia... em outras palavras ela me chamou de magricelo, afetado (afeminado), travado e feio.

Alunos são reis do elogio... Uma beleza de elogio (...)